Domingo, 27 de Maio de 2012

Minguante de Palavra

  
  
  
  
  
O poema recolhe, acolhe a extrema delicadeza do sangue
o silêncio minguante do teu corpo
a apóstrofe dentro da flor sobre a sua escura penugem e a morte sabota
a sua densa espessura sustida no cintilo âmago das salivas enquadradas num gesto
inverten-se alfabetos, retêem-se gritos sempre algures pronto a encadearem
o acaso de uma serpente pelos pulmões mais vigilantes e ressequidos na pele. 
Veste-me por dentro
com a
provocação dolorosa que sempre advogo, as ressacas de dizer que
vagueio no espírito o sono ao alcance de infindáveis colisões.




Hei-de escrever, 
com a indiferença do silêncio.




  
  
  

Sábado, 19 de Maio de 2012

 

 

 
 
Gosto de pequenas mensagens descabidas
entroncadas na noite
uma palavra que apodera uma ferida no lábio
qualquer um...
escolhe tu.


É porque sabemos que algures para além de nos cruzarmos
os braços,
que há cidade que engrandecidas pelo seu silêncio
embrulham os seus incêndios na porosa excepção das nucas
de nos lembrarmos
as ruas pelas quais de dentro para fora nos bateram com medo
de nós próprios


Quero-te entornar os ombros na aguçada fertilidade de uma flor
destronar qualquer hipótese de uma voz se meter entre um cigarro
nem as rastejantes nostalgias arranhadas de um quarto poder nos invadir
o lustre compêndio do olhar


Farejando a prodigiosa asfixia de um corpo
se incobrir de outro.......


NÃO IMPORTA, apenas corre
corremos reluzentes, tremeluzentes, invagueados dos nossos nomes
antes do sono nos despertar e convocar os imundos corações
da memória......




Até já.
 



 







 



Quinta-feira, 10 de Maio de 2012

Queimadura no Jardim





 
Levo esta bagagem comigo
um tanto de roupa dilacerada e intransponível
no apenas de um gesto,
É claro que tenho os olhos imundos 
de silêncio pelos diálogos fustigados
cegos de amor


É Verdade que transponho, em sangue,
certas queimaduras chamejantes de se moverem
indolentes nesta página ou noutro torrencial 
coração ostentado e perfurado 
por um sono de arquitecturas inseguras.


Fico à espreita de qualquer cintilação dentro de cartas
manejar o tempo, ou os presságios da noite na 
futura memória de uma borboleta a passar
Ou na atenção fulminante de um gato
aguçado sobre o seu peso as
ínvias penumbras pelas janelas adentro.


Há muito que não escrevia um poema
na posição alongada e vigilante das 
imagens roucas 
translúcidas do perfume de desertos
quando tapavas a boca como
quem implora as palavras nómadas
de todas as dunas sibilantes.
  
  
  
  
  
  

Quarta-feira, 9 de Maio de 2012

Diálogos Encolhidos

 
   
 
 
 
 
" - Falemos de um pouco de tudo,
na reluzente palavra instruída do silêncio,
Um sigilo, um segredo do instante
a lentidão de te ver por vezes, acompanhada com o meu medo.  "

" - Não, não me faças desmentir o que pressinto
quando um beijo subjuga uma flor que se afirma
contaminada e enrugada pelo instante 
porque apenas procuro a noite 
e a noite é uma maneira repentina de travar a vida
com um lágrima. "

" - Verdade. Tudo é uma maneira 
envelhecida de devorar uma casa,
móveis, cadeiras, mesa
de nos queimarmos o tempo convalescente 
que enredam a hora marcada pela sua cicatriz
embevecida. "

" - Só te digo que venhas, para além das instâncias
das estâncias, das moradas indefinidas do corpo
porque sei que nos meus ombros abrirás 
outras feridas e com os teus lábios
acompanhadas das suas ilusões reivindicadas
pelas imersas conquistas do sangue
quando viravas um rosto inexistente
 ao luar. "













Quinta-feira, 3 de Maio de 2012

Pulsações e o seu Por Dizer

  
  
  
  
I




Desdedo-me 
a irritabilidade da pele
petrificada 
num lugar de longa pobreza






II




Seja em Lisboa
ou num banco qualquer
terei uma laranja na mão
prestes
a enturvar um beijo 
na memória.


Sempre.




III




Soube de um homem
que promiscuía os focos da fome
mas apenas lhe vi 
tremeluzente no sangue
que ocultara.






IV




Digo que embevecer o limite
delimita a palavra do instante
assoalha a soma 
medrosa
de te aconchegares
comprimindo as avalanches 
do sono enquanto
envelhecemos.
    
    
    
    
    
  
  
   
     
Retoma-me agora, 
irrequieto, insistente e reivindicado das cidades incendiárias 
tenho a penumbra diluída de um gesto 
a abrigada lentidão sobre a boca desunida do medo
o latejar de hirtos caminhos invisíveis e pulmurares de polegadas 
embriagadas de silêncio
De verdade, não me sei comportar quando alguém
me repete o artifício facial de amordaçadas pálpebras 
em cólera de se perder intuitivamente o horizonte 
quando alguém pousa as mãos e me candeia o corpo
implacável
da
noite.
Derruba-me por inteiro
a vigilante tinta enturvada e emudecida nos teus lábios.




e um dia definharei com a sobrevivência desse silêncio.


  
  
  
  
  
  
  
  
  

Quinta-feira, 26 de Abril de 2012

   
   
  
  
                    
É quando me deitas e fechas a janela
que o momento lapidar se inscreve derradeiramente na noite,
algures dizem que quando alguém se espanta no sono
assoprando as álgebras do rosto
que o silêncio conspurca a escrita 
envolve, devolve 
por irresoluta os fossos inarticulados 
na ávida concretização deste corpo arder
ao lado de submersas cidades predestinadas 
a albergarem-nos 
na excessiva delicadeza dos meus dedos.


É quando me acordas e abres a janela
que os templos prosseguem nas arestas da areia
que os crisântemos se intactam no lume 
das palavras inspiradas 
e a quietude sanguinária
de falésias se alongarem inclinadas
de treva,
e a poesia reclinada progredir onde invento um novo 
receio
incessante de tocar.
   
  


  


  
   
   
     

Quinta-feira, 19 de Abril de 2012

Lições sobre o Submerso II

  
  
  
  
 
 
E se acendêssemos um cigarro e mil noites despidas pela prática lúgubre
de ascendermos, um no outro, na íntima eternidade indefinida do silêncio.
e nada nos tocar na lúdica recolha corpórea de urgentes momentos
e o instante ser uma longa dissimulação de palavras incrustadas
na inquieta transição de submersas lições do olhar
incólumes na debilidade de escrever um exíguo
tempo anterior ao dia.
  
  
  


   

Segunda-feira, 16 de Abril de 2012

Lições sobre o Submerso

  
  
  
  
  
Tudo se constrói averiguado do teu lado onde a tua roupa se inquieta e
se desdobra por último da sua pele lenta cúmplice de mil rosas recém nascidas
é verdade que o silêncio é um companheiro que avança sobre a saliva 
sobre a memória enganada, sobre o espaço respiratório da noite
e que vem construir o seu nome no desassossego das coisas
no ímpeto do coração intacto
A minha voz é calma, o sono um corpo precário na desolação do poema 
conhecendo o alimento dos vestígios e a boca do medo
dos braços que vestem a terra e a secreta língua esboçada 
dentro de crianças que falam sobre o submerso tempo das serpentes.  
  
   
  

Quarta-feira, 11 de Abril de 2012

O homem da máscara de ferro

    
  
  
  
Porque as tuas são certezas conspiradoras
que se afeiçoam ao inominável enigma
de avultos naufrágios que impelem o amarelado
de páginas e a consequência incinerada
das coisas.
Porque no meu rosto crisparam-se
pequenas renuncias de esquálidas incertezas
no esmurrar lento, da alquimia inata
do assoprar disperso de uma escolha
sucinta inchadas no dreno particular
sucedendo ao olhar,
Dos estilhaços esboços de freares
o perfil desnutrido
da decrepitude de máscaras
antes de ela se tornar desunida de ferro.
     

  

Segunda-feira, 9 de Abril de 2012

113

  
  
  
  
Serei breve,


Porque o teu cheiro, algures,
ainda conspira, conspira, conspira,
o silêncio do teu corpo sobre as réstias da insónia
que corteja o céu iluminado da sapiência 
insurgida da noite 
a sibilante resposta da tua presença 
e da tua voz ainda recém nascida,
a comprimir-me, dentro, dentro dentro,
todas as palavras luminosas.